AMÉRICA DO SUL, CHILE, Ilha de Páscoa

Ilha de Páscoa – Chile

Antes de contar tudo sobre a Ilha de Páscoa, preciso explicar o que me levou a desejar tanto conhecer esse destino. Quando eu tinha uns 10 anos assisti ao filme ‘Rapa Nui’, um romance que conta a história da ilha e dos gigantes de pedra, na época não tinha acesso a internet e achei que era apenas um filme de romance, mas uns três anos mais tarde aprendemos sobre a ilha na aula de História e descobri que o lugar era real. Fiquei tão pilhada que aluguei o filme e convenci a professora a passar na próxima aula. A maioria da turma dormiu hahahahah mas para mim virou um objetivo ir até lá, ver com meus próprios olhos os Moais e conhecer mais dessa cultura.

Corria o risco de criar muita expectativa e me decepcionar com a ilha já que fiquei desejando conhecê-la por uns 20 anos (sempre tinha outra prioridade ou viagem na frente, e a ilha ia ficando :/) Mas a ilha fez muito mais do que realizar meu sonho, me encheu os olhos de lágrima e a mente de paz… me deu uma lição de vida!

A Ilha de Páscoa

Embora a Ilha de Páscoa seja pequena e distante, existem vários motivos para conhecê-la. Os principais motivos é que é o local habitado mais remoto de qualquer continente, é Patrimônio da Humanidade da UNESCO, existem 1200 Moais pela Ilha, ela é formada pela erupção de 3 vulcões (hoje todos inativos), tem praia, trekking, passeios a cavalo e mergulho.

O nome original da Ilha de Páscoa é RAPA NUI, e por sinal, a língua nativa também é chamada Rapa Nui bem como os habitantes nativos da Ilha e sua cultura.

Vulcão Terevaka e ao fundo a capital Hanga Roa

Está localizada entre o Chile e a Polinésia Francesa. Pode caprichar no zoom no Google Maps para encontrá-la no meio do Oceano Pacífico.

Com apenas 170 km² possui uma única cidade Hanga Roa que é a capital e também onde está localizado todo o comércio, a maioria dos hotéis e o aeroporto.

Para entender a história e geografia da Ilha, em breve vou fazer posts por ordem histórica – também porque foi a melhor forma que eu compreendi a cultura Rapa Nui.

Mas em resumo: a Ilha de páscoa é uma Ilha vulcânica, formada por erupções de 3 vulcões há milhões de anos, o Poike, o Rano Kau e o Terevaka.

Cratera do Vulcão Rano Kau

Em torno 400 d.C. 7 exploradores enviados pelo Rei das Ilhas Marquesas na Polinésia Francesa, localizaram a Ilha, mapearam e voltaram informar o Rei, que enviou seu filho como Rei da Ilha e uma filha.

Levou mais uns 500 anos até a ideia de construir Moais como lápides. A cultura de fazer Moai permaneceu por aproximadamente 900 anos. Devido a superpopulação e a falta de mantimentos começaram as guerras e, com isso, até mesmo o canibalismo. Nenhum Moai permaneceu em pé, os que não foram derrubados durante a guerra, sofreram com Tsunamis. A Ilha teve em seu auge 25 mil habitantes mas, após a chegada dos europeus,  chegou a ter apenas 120 habitantes. 

Os Holandeses chegaram em 1722 em um domingo de páscoa, daí o nome Ilha de Páscoa. Mas com eles também vieram as doenças e a escravidão dos nativos.

Nascer do Sol no Ahu Tongariki – maior plataforma de Moais

A lição que tirei dos nativos da Ilha é que mesmo com tantos altos e baixos, eles permanecem unidos, sempre muito sorridentes e esperançosos. Comentamos com o guia que a Ilha parece um micro-cosmos onde se consumiu demais e se guerreou demais, o que levou a quase extinção da população. É um exemplo marcante de como podemos acabar pois continuamos fazendo exatamente a mesma coisa hoje, só que numa escala global. Poderíamos e deveríamos aprender  com a história da Ilha a não repetir os mesmo erros… E o guia nos disse que a Ilha está passando pelo seu terceiro grande momento, que era para olharmos de outra forma, mesmo com tanta coisa ruim que já aconteceu na história da Ilha, em todas as vezes os nativos conseguiram se unir e recomeçar e que ele tinha muita esperança na humanidade pensando dessa forma.

Ilha de Páscoa – Território Chileno

Em 1888 o Chile anexou a Ilha ao seu território, até existe uma placa informando que os Rapa Nui não se consideram Chilenos. Conversando com os nativos, ficamos com a impressão que essa opinião é bem dividida já que mesmo sendo território Chileno eles possuem uma certa autonomia.

Uma briga recente entre o Chile e a Ilha de Páscoa era de que os sítios arqueológicos eram mantidos pelo governo chileno e a Ilha recebia apenas uma pequena porcentagem sobre a venda dos ingressos. A partir de jan/2017 a Ilha conquistou o direito de cobrar o ingresso e ficar com o valor integral para manutenção dos sítios arqueológicos. Estava achando caro pagar U$80,00 por pessoa, mas fiquei feliz e paguei com gosto depois que o guia contou essa história e explicou que hoje cada sítio é mantido pelos descendentes daquele local específico!

Guia – Tour – Museu 

Enquanto programava a viagem li em diversos blogs sobre um guia turístico Rapa Nui chamado Marco Antonio, mais conhecido por Kako, que morou anos no Brasil e fazia tours em português. O problema é que ele não possuía rede social e ninguém tinha o contato dele, só diziam para chegar lá e pedir no hotel pelo Kako que todos conheciam.

Não quis arriscar e virei a internet do avesso até conseguir o whatsapp dele. Deixei agendado tour vip de um dia inteiro para o primeiro dia, embora mais caro que um tour tradicional, fiz questão de fazer para não perder nenhum detalhe da Ilha.

Meu encanto pela Ilha se deu em grande parte pelo tour com o Kako. Uma pessoa com um astral muito bom, fala muito bem o português, apaixonado pela sua descendência e história da Ilha, super prestativo, daquelas pessoas que parece que já é seu amigo uma vida inteira. Terminamos o dia com a certeza de que sem o guia muito da ilha pareceria apenas umas pedras pelo chão.

Acabei esquecendo de tirar foto com o Kako mas encontrei essa nos arquivos. Além de estar com a camisa do Brasil, havia encomendado uma Havaianas e ficou um típico brasileiro!! 

No último dia ele ainda nos encontrou no aeroporto e nos deu de presente um colar chamado PIPI todo feito em conchas da região. Fica aqui nosso agradecimento e carinho ao Kako. Se alguém quiser o contato dele me  manda uma mensagem que eu passo. 

Também existem várias empresas de turismo – afinal a Ilha vive disso – com diversos tipos de tours de preços variados. Porém, se não quiser/puder contratar guia ou tours, eu recomendo no primeiro dia reservar para visitar o Museu. Com diversas imagens, exemplos, moais e petróglifos, o Museu conta detalhadamente a história da Ilha, tanto geograficamente falando quanto cultural.

Peças do acervo do Museu

Museu: Entrada gratuita.

Site oficial: www.museorapanui.cl

Horário: Terça a Sexta: 09:30 às 17:30 horas.

                Sábado, domingo e feriados: 09:30 às 12:30 horas.

A Língua da Ilha de Páscoa

Como a Ilha de Páscoa é patrimônio chileno a língua oficial é o espanhol mas a língua original Rapa Nui também foi mantida como oficial, os nativos ainda falam a língua Rapa Nui, inclusive as escolas continuam ensinando o idioma.

Todas as placas, mapas, indicações, nome dos locais estão em Rapa Nui e essa foi minha grande dificuldade em organizar essa viagem, não conseguia gravar o nome dos pontos turísticos, confundia a todo momento, lá na Ilha o guia explicou e traduziu cada palavra, até a entonação vocal, e daí sim que fiz uma salada na cabeça hahaha. Pelo menos aprendi as palavras principais como Iorana (Olá), Maururu (obrigado) e Ahu (plataforma dos Moais).

Como chegar na Ilha de Páscoa

A Ilha possui o Aeroporto Internacional Mataveri que foi financiado pela NASA para o caso de precisar pousar uma nave espacial lá. A agência americana mantém, inclusive, uma estação sismológica na Ilha.

Estação da NASA ainda em funcionamento. Mais parece uma estação do Lost abandonada por  lá.

O aeroporto é super pequeno e acaba formando uma fila demoradinha até todos pegarem suas malas ou fazer check-in.

Fila para acessar o aeroporto

Atualmente existe apenas um voo diário da LATAM partindo de Santiago-Chile. O voo leva em torno de 4:45h. Duas vezes por semana este voo vai até Papetee, fazendo escala na Ilha de Páscoa, então é uma boa ideia quem quiser conhecer o Tahiti e a Ilha de Páscoa em uma única viagem.

No nosso caso, como o objetivo era passar a maior parte do tempo na Ilha mesmo, pegamos voo de Guarulhos até Santiago, ficamos lá por 3 dias e aproveitamos conhecer a capital chilena Santiago, Viña del Mar e Valparaíso antes de partir para a Ilha de Páscoa.

Aluguel de carro na Ilha de Páscoa

Embora a Ilha seja pequena, é difícil circular sem carro. O centro tem calçamento e 3 ou 4 vias principais foram asfaltadas há 5 anos, porém, em alguns pontos as condições não são das melhores ou é necessário passar por estrada de chão, então alugar um carro/moto/quadriciclo é muito importante para explorar a ilha.

Alugamos um Jeep Jimny 4×4 na Insular Rent a Car por U$65 a diária e de brinde fizemos amizade com o atendente Samuel, um mexicano que nos deu algumas dicas e contou que estava morando lá por tempo indeterminado depois de ter ido à Ilha a passeio e ter se encantado com o local…confesso que cogitei imitar o Samuel.

Havíamos alugado o carro por 2 dias com a ideia de nos outros dias explorar as redondezas do hotel a pé, mas acabamos pegando o carro para mais um dia para voltar a alguns pontos turísticos mais distantes do centro.

Show Folclórico Rapa Nui

Embora a Ilha seja território Chileno, a cultura polinésia é muito forte e é possível perceber desde a chegada no aeroporto quando somos recebidos com colares de flores, com o estilo das músicas nas rádios, e principalmente nos shows típicos.

Recepção no Aeroporto

Por indicação do nosso guia Kako fomos assistir ao show no Kari Kari. Como na maioria das casas de shows é possível comprar o ingresso apenas para o show ou com a janta típica junto. Devido as nossas programações acabamos indo assistir apenas ao show na nossa última noite na Ilha.

Havia lido que seria um daqueles programas pega turista mas a verdade é que eu fiquei admirada com os instrumentos e músicas Rapa Nui, os passos ensaiados, as vestimentas típicas e a alegria contagiante dos dançarinos. Interagem em diversos momentos com a plateia e em meu papel de turista pintei o rosto e subi ao palco a convite de um dos dançarinos (agora a meta é sumir com a filmagem desse momento hahahaha).

Faça reserve antecipada. Shows terças, quintas e sábados às 21h

Preço: 15000 pesos ou $35

 

Mais informações:

– A moeda é o Peso Chileno, mas todo o comércio aceita dólar.

– 80% da população é católica.

Igreja Católica em Hanga Roa

– O guia informou que o último Censo marcou uma população de 12.000 pessoas e por ano recebe em torno de 100.000 visitantes.

– Em Janeiro e Fevereiro acontece o Festival Tapati Rapa Nui, tudo fica mais caro e lotado nessa época.

– Existem muitas opções de hotel na Ilha, escolhemos o Hotel O’Tai por ficar bem centralizado e gostamos muito. Todos os hotéis que pesquisei só oferecem wi-fi nas áreas públicas, o que é bom para dar uma desligada e aproveitar a calmaria da ilha. Também existe opção de hotel de rede maior como o Explora Rapa Nui que oferece all-inclusive, com todas as refeições e todos os tours.

– É necessário ter o ingresso do Parque Nacional Rapa Nui para acessar os sítios arqueológicos, compre a U$ 80,00 ainda no aeroporto, antes de chegar a esteira das malas há um guichê, a fila fica enorme e o guichê bem visível. O ingresso é válido por 10 dias. Para entrar nos sítios arqueológicos precisa apresentar o ingresso que é carimbado. Dois sítios (Orongo e Rano Raraku) só podem ser visitados 1 vez devido a preservação. Nos demais pode entrar e sair quantas vezes quiser dentro desses 10 dias.

– Não esqueça de pegar seu carimbo no passaporte! Está no único Correio da Ilha, fica no balcão disponível para você mesmo carimbar.

– A Ilha é CHEIA de animais soltos. Cachorros, cavalos selvagens e vacas fazem parte do ambiente. É muito comum ter que parar para os animais atravessarem ou fazer amizade com um cão e ele te acompanhar nos passeios 😀

 

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