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outubro 2014

EUROPA, FRANÇA, Paris

Catacumbas – Paris

Pagar pra ver ossos amontoados em túneis no subsolo? É isso mesmo? Sim! Para alguns é um passeio aterrorizante, para alguns desnecessário, para outros claustrofóbico. Mas pode muito bem ser um passeio curioso, e eu achei bem interessante.

Então vou tentar desmembrar a ideia de “ossos amontoados em túneis” para deixar mais atrativa a ideia de conhecer esse lugar tão peculiar (e sempre com uma fila enorme) de Paris.

As Catacumbas de Paris

criptas-paris

Os Túneis de Paris

No subsolo de Paris corre uma rede de túneis de extensão desconhecida a 20 metros abaixo das ruas. Parte deles são mapeadas por institutos, parte frequentada por caçadores de novos caminhos, e alguns há muito tempo abandonados.

tuneis-catacumbas-parisInício dos túneis.

Eles foram se formando pela exploração de pedras já desde o período romano. Foi de lá que saiu o material para a construção de grandes obras da cidade como o Louvre e a Catedral de Notre Dame e por lá também foram construídas as linhas de metro. Os túneis foram fechados devido aos perigosos desabamentos que começaram a ocorrer.  

escada-catacumbas

poço-catacumbasPoços de água no fundo dos túneis.

As Catacumbas

Em 1785 um trecho de túneis foi destinado a guardar os ossos dos cemitérios que já estavam abarrotados pela cidade. Por anos os ossos foram transferidos durante a noite em uma procissão fúnebre cobertos por uma manta negra e acompanhados de padres entoando cânticos. No começo foram espalhados de forma desordenada, e mais tarde, Héricart de Thury, o inspetor da Pedreira, resolveu organizar os túneis exatamente para ser acessível a visitação e dispôs os ossos lá em baixo de forma ordenada, formando paredes bonitinhas e alinhadas.

ossos-paris

tuneis-catacumbas

subsolo-paris

No fim foram levados para as catacumbas cerca de 6 milhões de mortos, mas o percurso que está aberto hoje para visitar é de apenas 2 km, uma parte bem curta na verdade de toda a extensão.

ossos-catacumbas

De onde vieram tantos ossos?

A ideia de levar os ossos para o subsolo se deu alguns anos depois de o Cimetière des Saints-Innocents ser fechado, em 1780. O mais antigo cemitério de Paris ficava em uma região central, mas virou um grande problema para a saúde da população. Imagine que esse cemitério já estava a 2 metros acima do solo quando foi fechado. Muitas vezes aconteciam desmoronamentos de muros e enchia as casas ao redor de corpos. Com quase 10 séculos de sepultamentos tiveram que começar a enterrar as pessoas em valas comuns, chegando a ser de 1.500 por dia. Mas o problema maior, claro, além do cheiro, era o número de mortes que essa falta de higiene estava causando. Reza a lenda que quem se atrevia a atravessar o cemitério ficava por lá mesmo, pois morria contaminado pelo caminho. Nem quero imaginar o cheiro disso nos constantes dias chuvosos de Paris.

cemiterio-dos- inocentes-parisOssos dos Cemitérios dos Inocentes e Madeleine

O Cemitério dos Inocentes levou 2 anos para ser desocupado e em seguida vários outros cemitérios foram transferidos para os túneis, enquanto isso novos foram sendo construídos pela periferia da cidade.

cemiterio-st-etienneOssos trazidos do Cemitério St Etienne

No Cemitério Madeleine foram enterrados as vítimas da guilhotina na Revolução Francesa, como Lavoisier, Robespierre, Maria Antonieta e o Rei Luis XVI. Enquanto a realeza foi cuidadosamente transferida para a Basílica de Saint Denis, os outros estão agora nas catacumbas.

 O Tour pelas Catacumbas e Paris

Depois de 45 minutos na fila e torcendo pra não dar o horário de última entrada, pois o número de visitantes lá em baixo é controlada, finalmente conseguimos entrar. Mas a fila é só o começo, em seguida são 130 degraus de descida em forma de caracol, as catacumbas ficam cinco andares abaixo do solo.

entrada-catacumbasPorta de entrada para os túneis. 

tuneis-paris

ossuario-de-paris

Depois das escadas mais um trajeto de túneis com pouca iluminação e aí sim, chega-se a entrada do ossuário com uma mensagem, digamos, bem receptiva: “Arrete c’est ici l’empire de La Mort” (Pare, este é o império da morte).

entrada-catacumbas-parisEntrada para as Catacumbas. Por todo o trajeto ainda da para ver essa linha negra no teto, ela é a marca das velas usadas para iluminar os túneis no passado.

Agora sim, dos 2 km de percurso boa parte você vai estar cercado de ossos empilhado dispostos em desenhos geométricos. No começo é meio estranho, mas é tanto, tanto osso que você se acostuma rápido. E não pode ser diferente, o percurso tem que ser terminado, depois que entra não pode fazer o caminho de volta, não tem saída de emergência e nem banheiro lá em baixo. Então o melhor é mesmo ir dando um bonjour para o pessoal.

ossuario-paris

 No começo do trajeto várias esculturas foram feitas na pedra por um operário chamado Antoine Décure.

antoine-decure

forte-mahon

cripta-da-paixaoA cripta da Paixão tinha função de capela do ossuário, mas era onde aconteciam festas bem obscuras com a burguesia de Paris.

A saída também é feita por uma escadinha minúscula em caracol com 83 degraus, e nem pense em levar um fêmur de lembrancinha, a sua bolsa vai ser revistada lá em cima. Mas se quiser uma recordação, tem uma lojinha no outro lado da rua da saída, que vende todos os artigos imagináveis em forma de caveira.

paris-tour-catacumbas

Curiosidade

  • O fato de terem cercado o itinerário da visita é bem simples: os túneis são labirintos sem fim, e quem se arrisca a explorar sem um mapa pode acabar perdido para sempre. É o que conta em uma das lapides do trajeto: “Em Memória de Philibert Aspairt, que se perdeu nessas galerias no dia 3 de Novembro de 1793. Foi encontrado 11 anos depois e enterrado no mesmo lugar.” Várias outras situações parecidas aconteceram, e a polícia teve que dispor de inúmeros policiais e muitos dias para encontrar garotos perdidos.
  • Vários escritores citam as catacumbas e os túneis de Paris em seus livros. Umberto Eco em O Pêndulo de Foucault e Victor Hugo, no livro mais famoso de Paris, Os Miseráveis. Ernest Hemingway conta em “Paris é uma Festa” dos bares que davam acesso as Catacumbas.
  • Algumas pessoas foram enterradas diretamente nas catacumbas durante a Revolução Francesa.

combatentes-revolução-francesa

  • Quando transferiram os ossos, muitos dos corpos ainda não estavam totalmente decompostos, e a gordura deles virou sabão e velas! Éca!

praça-denfert-rochereauA entrada para as Catacumbas é feita por uma pequena porta, e fica bem em frente ao leão da Praça Denfert Rochereau.

Informações úteis:

 Avenue du Colonel Rol-Tanguy – 75014 – Paris

Metro: Denfert-Rochereau

Horário: Diariamente, das 10h às 20h, exceto às segundas-feiras e feriados. Última entrada às 19h.

Valor: normal 10€, reduzida 8€

Crianças menor de 14 anos só entram acompanhadas de um adulto.  

Site oficial: www.catacombes.paris.fr

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Toronto Music Garden-Toronto

Numa cidade de 5 milhões de habitantes me surpreendi quão silenciosa ela é. Toronto transpira cultura! E como se nada mais pudesse me impressionar na cidade, encontro no mapa turístico a indicação de um parque “Toronto Music Garden” e com um pouquinho de pesquisa (santo Google) descubro que é um parque totalmente dedicado a Suíte de Bach No. 1 em Sol Maior.

Toronto Music Garden 

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Embora não seja um ponto turístico muito famoso, quis conhecer. Um dos motivos é porque adoro parques abertos e gratuitos, mas principalmente porque lembrei das aulas de piano, e como Bach sempre me conquistou com suas composições e sua história de que, mesmo ficando cego, continuou tocando e compondo novas músicas.

toronto-garden-saida.jpeg

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Em pleno Harborfront – beira do lago – está o jardim. Ele foi projetado pelo internacionalmente renomado violoncelista Yo Yo Ma e pela paisagista Julie Moir Messervy. Quando as árvores ficam mais espessas se tem uma linda visão do lago e seus barcos alinhados.

toronto-garden-harborfront.jpeg

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O jardim é quase como um labirinto, fazendo com que você se sinta caminhando por entre a partitura da música. Em cada jardim há uma placa com a partitura, informando em qual parte da música você está – Prelude, Allemande, Courante, Sarabande, Giga ou Menuett.

music-garden-mapa.jpeg

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jardim-toronto.jpeg

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Pegamos a última semana de verão lá, dia cinza, garoando, e achei que os jardins já não estavam mais tão bem cuidados. Mas, ainda assim, acho que a ideia do parque é ótima! Bach merece toda homenagem, seja em forma de música ou de jardim.

Como um belo país de primeiro mundo, onde a população tem acesso a cultura gratuitamente, ao ar livre, durante o verão há apresentações chamadas de Summer Music in the Garden. Uma pena não estarmos lá em dias de apresentações.

Informações úteis:

Aberto ao público

Endereço: 479 Queens Quay W.

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