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setembro 2014

EUROPA, FRANÇA, Paris

Conciergerie – Paris

Visitar a Conciergerie é uma forma de revisar toda a história da França, pois em todos os períodos esse grande prédio desempenhou algum papel fundamental para a sociedade. E não seria por menos, pois está localizado na Île de La Cité, o coração de Paris, para quem não sabe é uma ilha mesmo, no centro da cidade contornada pelo rio Sena.

Conciergerie – Paris

www.paris-photo-tours.com.jpeg(Foto site: www.paris-photo-tours.com)

A Conciergerie tem uma história muito extensa, mas vou tentar resumir os principais fatos que aconteceram por lá para ficar melhor de entender o que você vai conhecer visitando esse monumento.

  • No mesmo local já situava-se antigos Palácios de governo desde quando a região era província Romana. Foi usado como Palácio Real pelo Rei Clovis, considerado o unificador e fundador da França.
  • No século X o Rei Robert – O Piedoso construiu ali o Palais de La Cité, prédio oficial do poder administrativo e Residência Real. É dessa construção que ainda existem vestígios.
  • Em 1246, anexo ao Palácio, o Rei Luis IX construiu a Capela Sainte Chapelle, (leia o post aqui). No pátio principal ele construiu uma escadaria que dava direto na Capela Alta, parte exclusiva da nobreza, mas a escada não existe mais.

sainte-chapelle-palacio.jpeg

  • Ao longo dos anos o prédio foi abandonado, restaurado, queimado e ampliado por diversos Reis. Até que a Realeza resolveu se mudar para o Louvre e o prédio continuou sendo apenas administrativo, sob a direção de um zelador ou concierge, e esse passa a ser o nome do Palácio.
  • No Século XIV o Palácio também abriga uma prisão, com direito a salas de torturas e julgamentos rápidos, pois o tribunal também era lá.

guilhotina.jpegGuilhotina usada durante o “Período do Terror”

  • Mais tarde durante a Revolução Francesa ela desempenhou um grande papel, a de Tribunal Revolucionário, mais conhecido como Período do Terror, pois chegavam a enforcar 38 pessoas por dia. Todos que iam para lá sabiam que não sairiam vivos, não importando se eram nobres ou simples camponeses.

prisao-conciergerie.jpeg

  • Nesse período, uma pequena cela foi a última residência da Rainha Maria Antonieta, de onde saiu direto para a guilhotina na Praça da Concórdia.
  • Depois de 2.780 execuções, inclusive a de Robespierre, criador do Tribunal, chega ao fim esse período de mortes, mas a Conciergeirie continua a ser prisão até 1934.

robespierre-carta.jpegDocumento assinado por Robespierre.

  • Em 1914, a construção passa a ser Monumento Histórico e é aberta a visitação. Hoje abriga constantes exposições além de toda a estrutura montada para explicar as fases antigas do Palácio.

 A Visita na Conciergerie

parisinfo.com.jpeg(Foto site: www.parisinfo.com)

A visita a Conciergerie inicia em um enorme salão, a Salle de Gens d’Armes, e é a maior sala medieval conservada da Europa, com 64 metros de comprimento. Esse local servia de refeitório para cerca de 2.000 empregados que os Reis chegavam a ter. No dia em que visitei o salão, uma exposição tomava conta de praticamente todo o espaço, ficou até difícil ver a grande sala.   

salle-de-gens-darmes.jpeg

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Ao lado fica a Salle des Gardes, onde funcionou o Tribunal Revolucionário. Algumas das escadas desta sala dão nas torres do Palácio.

salle-des-gardes.jpeg

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coluna-conciergerie.jpegDetalhe nas colunas medievais.

A outra parte do passeio é por onde funcionava a prisão, tanto as celas para os presos que tinham condições de pagar por uma cama, como os que ficavam sob palhas no chão e sem luz.

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A Sala de Toalete era onde os condenados deixavam seus pertences e cortavam o cabelo antes de partir em carroças para a praça de execução.

sala-toilete-concierge.jpegSala de Toalete

Antes disso todos ficavam na Sala dos Condenados aguardando sua vez. Nessa sala hoje há uma lista com os nomes dos 2.780 executados durante os dois anos que funcionou o Tribunal Revolucionário. 

executados-revoluçao-francesa.jpegSala dos Condenados – Lista dos executados que contorna toda a sala.

Duas capelas foram conservadas, uma delas da Idade Média, a Capela dos Girondinos, local onde se reuniram 21 girondinos para cear antes de serem mortos. Na parte superior, fechada por grades, era de onde os condenados podiam fazer suas orações.

capela-girondinos.jpegFundos da Capela dos Girondinos.

Atrás do altar desta Capela está a outra, a Chapelle Expiatoire, construída em memória à Família Real.

A última sala é dedicada a Robespierre, criador e executor do Tribunal. Foi onde ele passou seus últimos momentos em vida antes de ir igualmente para a guilhotina.

cadeados-prisao.jpegChaves e cadeados das celas. 

Os pátios abertos também podem ser visitados. De antigos Jardins Reais viraram áreas externar para os presos, um era para a ala feminina e outro masculina. 

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A Cela de Maria Antonieta

Após a execução do Rei, Maria Antonieta foi levada para Conciergerie, onde ficou quase sete meses antes de morrer. maria-antonieta-prisao.jpeg

A Rainha ficou em duas celas diferente, uma vez que tentou fugir da primeira, foi transferida para outra com dois guardas em sua vigia separados por um biombo. A sua cela e uma reconstituição, pois a verdadeira ficava no local da Capela, mas os objetos e o crucifixo expostos pertenceram a ela.

maria-antonieta-paris.jpeg

As Torres da Conciergerie

Quatro torres, de diferentes períodos de construção adornam o prédio.

-A Torre do Relógio, é a única quadrada, e leva esse nome porque nela foi colocado o primeiro relógio público de Paris (1370). Apesar de o que está lá não é o original, agora podemos ver o que foi colocado em 1585 por Henrique III. Claro que depois de inúmeras restaurações, continua funcionando, todo dourado sob um fundo azul.

commons.wikimedia.org.jpeg(Foto site: www.commons.wikimedia.org)

-A Torre César leva o nome em homenagem aos antigos povos romanos que ali viveram. Ela foi construída sob ruínas dessa época.

-A Torre da Prata ou Torre do Dinheiro seria o local onde se guardava os tesouros dos Reis.

 -A Torre Bonbec, que na tradução significa Bom de Bico, era o local onde realizavam torturas, fazendo com que os prisioneiros falassem tudo.  É a torre mais antiga das quatro.

 palacio-justiça-paris.jpegRuas no interior do prédio onde hoje funciona o Palácio da Justiça de Paris.

CURIOSIDADES:

– Entre os primeiros presos na Conciergerie está Enguerrand de Marigny, o construtor do Palácio.

– O químico Antoine Lavoisier também foi preso na Conciergerie acusado por fraude nos impostos e morreu na guilhotina.

Informações úteis:

2 Boulevard du Palais 7500 – Île de La Cite – Paris

Metro: 1,4,7,11,14

Tarifas: 8,50€ ou 5,50€ a reduzida.

Entrada combinado com a St. Chapelle: 12,50€ e reduzida 8,50€

Site Oficial: http://conciergerie.monuments-nationaux.fr/

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Cemitério da Recoleta-Buenos Aires

Quem disse que cemitério é lugar só para os mortos??? Em Buenos Aires o Cemitério da Recoleta é um dos principais e mais visitado dentre os pontos turísticos da cidade.

Cemitério da Recoleta – Buenos Aires

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A cidade toda já tem aquele ar arquitetônico europeu e o “último lar” dos portenhos não é diferente. Inspirado no Cemitério Père Lanchaise de Paris, com sepulturas e mausoléus gigantes e impressionantemente decorados com esculturas que são verdadeiras obras de arte.

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Só tem uma coisinha que deixa mais horripilante que o de Paris: dentro dos mausoléus alguns caixões ficam expostos. Não são enterrados, e mesmo os mais antigos continuam lá e com toalhinhas de crochê em cima para decorar!

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O cemitério fica no bairro residencial da Recoleta, um dos mais nobres da cidade, ao lado da Capela Nossa Senhora Del Pilar, outro local que vale a visita.

recoleta.jpegCapela Nossa Senhora Del Pilar

Nos domingos essa praça fica bem movimentada, pois acontece uma feirinha que começa ali e vai até em frente ao Museu Nacional de Belas Artes.

Arrependo-me de ter entrado meio tarde no cemitério, fiquei muito impressionada com as obras, mas só consegui ver um lado dele, pois eles fecham às 18hs, e nem tem como escapar. Um guardinha praticamente te “escolta” até a saída, e se você tentar desviar do corredor principal leva uma apitada no ouvido (sim, eu tentei fazer isso para dar mais uma voltinha por lá).

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A História do Cemitério da Recoleta

Construído em 1822, em terras doadas ao convento para ser um cemitério público, se chamava Cemitério do Norte. Mais tarde, em 1880 passou por uma restauração, pois estava praticamente abandonado. Hoje o cemitério é cercado por um alto muro, contém cerca de 6 mil sepulturas e 90 mausoléus. Grande parte das tumbas fazem parte dos Monumentos Históricos Nacionais de Buenos Aires.

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O criador do cemitério, o presidente Bernardino Rivadavia acabou não sendo enterrado lá, e está sepultado na Praça Miserere. Já o coveiro David Alleno deve ser a única pessoa pouco abonada que tem uma sepultura exclusiva lá. Depois de economizar por toda a vida, encomendou na Itália uma escultura que representava seus instrumentos de trabalho e com a data da sua morte. No dia marcado se suicidou e descansa lá sob a seguinte frase: “David Alleno, cuidador en este cementerio 1881-1910”.

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Dizem que o metro quadrado mais caro da cidade é dentro do cemitério, apesar de não saber se é verdade, não duvidaria, pois lá estão enterradas só famílias nobres e grandes nomes argentinos como: A Evita Perón, que é o túmulo mais visitado, vários outros ex-presidentes argentinos, importantes escritores, ganhadores de prêmios nobéis, políticos, generais, esportistas e artistas

sepultura-presidente.jpegTúmulo do ex presidente argentino Manuel Quintana

Hoje você pode comprar um tumba simples por 15 mil dólares ou se preferir ficar vizinho de Eva Perón é só fazer um depósito em torno de 250 mil dólares!

Histórias e Lendas

mausoleus-recoleta.jpeg

Claro que cemitério sempre rende muita história, e neste algumas são bem interessantes, já que estão ligadas às suas respectivas esculturas.

Uma delas é a imagem de uma menina segurando a maçaneta da porta de sua tumba. A história é que Rufina Cambaceres morreu com 19 anos, na véspera de seu aniversário. Dias depois os funcionários encontraram seu caixão danificado, e quando abriram viram vários arranhões no interior, dando a entender que ela na verdade não teria morrido e sim sofrido algum ataque de catalepsia. A estátua fora da tumba dá a ideia de que ela agora vaga livremente pelo cemitério, e claro, todas as histórias de aparições por lá são atribuídas a ela.

Sem Título-1 Túmulos de Rufina Cambaceres e Salvador Maria Del Carril 

Outra estátua interessante é a do túmulo do vice-presidente Salvador Maria Del Carril, que já em vida odiava sua esposa. Antes de ela morrer exigiu que no mausoléu da família as duas estátuas ficassem uma de costa para a outra, demonstrando o seu desentendimento por toda a eternidade.

 cemiterio-tumbas-recoleta.jpeg

A lenda mais enigmática continua sendo a do túmulo de Pierre Benoit, um refinado francês que misteriosamente chegou na cidade por volta de 1818. A história é que ele seria na verdade Luis XVII. Misteriosamente ele também morreu, acreditasse que envenenado. Ele foi responsável por parte da arquitetura da Catedral de Buenos Aires (em estilo francês) e sua última pintura foi um quadro de Maria Antonieta, (supostamente sua mãe).

mausoleus-argentina.jpeg

recoleta-buenos-aires.jpeg

Histórias horripilantes à parte; acho que valeria a pena visitar o cemitério com um guia e conhecer melhor os grandes personagens de Buenos Aires que hoje estão cercados de grande obras de arte.

Informações úteis:

Junin 1760 – Recoleta – Buenos Aires

Horários: Todos os dias 08hs às 18hs. Entrada Gratuita

Site oficial: www.cementeriorecoleta.com.ar

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